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Alexandre O'Neill

por Dona professora, em 25.03.14

 

      Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill de Bulhões, mais conhecido por Alexandre O’Neill, nasceu a 19 de Dezembro de 1924 e faleceu a 21 de Agosto de 1986. Alexandre O’Neill foi um poeta muito importante no português surrealista

Em 1944 terminou o 1º ano na escola Náutica de Lisboa, mas por causa da sua miopia, foi-lhe recusado a célula marítima para exercer a pilotagem e assim Alexandre O’Neill parou com os estudos. Em 1946 Alexandre O’Neill abandonou a casa dos seus pais e foi viver para casa dos seus tios maternos devido a um conflito familiar. Em 1948 foi um dos fundadores do movimento Surrealista de Lisboa e colaborou na Ampola Miraculosa. Em 1949 apaixonou-se pela francesa surrealista Nora Mitrani. Em 1951 publicou a antologia do Tempo de Fantasmas. Em 1983 recebeu O Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários pelas suas poesias completas.

            Alexandre O’Neill sempre viveu da escrita e de trabalhos associados a livros, embora nunca tivesse sido um escritor profissional. Em 1946, tornou-se escriturário na Caixa de Previdência dos Profissionais do Comércio, tendo abandonado este emprego em 1952. Começou a escrever para jornais, primeiro raramente, mas depois passou a fazê-lo com regularidade no jornal A Capital nos anos 80. No Jornal de Letras escreveu prosa e poesia.

            Alexandre O’Neill tinha uma grande atração por outros meios de comunicação e nos anos 70, participou em programas de televisão, escreveu guiões de filmes e peças de teatro. Em 1982 recebeu o prémio da Associação de Críticos Literários.

            No entanto, a doença que tinha começava a atormentá-lo e em 1976 sofreu de um  ataque cardíaco. No início dos anos 80, já divorciado da sua mulher Teresa Gouveia, passou a dividir o seu tempo entre a casa da Rua da Escola Politécnica e a vila de Constância. Em 1984 e 86, sofreu um acidente vascular cerebral, que o levaria ao internamento prolongado num hospital, vindo a morrer em Lisboa a 21 de Agosto de 1986.

 

Quévin Costa e Rodrigo Pereira, 8.ºA

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publicado às 08:44


Ruy Belo

por Dona professora, em 24.03.14

"E tudo era possível"

 

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)

 

A propósito do poema "E tudo era possível", a aluna Eva Dória fez uma breve apresentação sobre a vida e obra poética de Ruy Belo que podem consultar no link abaixo:

RuyBelo.ppsx

 

 

 

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publicado às 11:47


Literatura Fantástica (V)

por Dona professora, em 20.03.14

A luz entrava pelo buraco que a árvore tinha feito quando o seu ramo se partiu. Os espelhos já não eram espelhos. Já não se via qualquer reflexo nele, apenas uma camada densa de sujidade. As loiças estavam partidas e os dois jovens esforçavam-se por não cair nos destroços, procurando o melhor local para encaixar o pé. Era difícil não acertar num caco partido, cada passo era anunciado pelo som de mais louça a ser partida. Os azulejos pareciam que já tinham sido brancos e quem sabe se também azuis, mas agora apenas se via o musgo a querer romper pelo canto dos azulejos. A porta estava à distância de um braço e decidem avançar. Eis que senão se detêm numa mancha acastanhada na ombreira da porta já comida pelas térmitas que ali abundavam. Parecia que uma mão ensanguentada se tinha arrastado até à porta. John afasta-se repentinamente.

-O que é aquilo? – perguntou com um olhar enojado e desconfiado.

-O que achas? É uma mancha de sangue… de certeza! – respondeu incisivamente.

John sentiu medo da própria resposta da amiga. Um medo eventualmente comparável ao que alguém sentiu ao deixar aquela marca na porta. Afinal ela tinha razão: parecia mesmo que alguém tinha deixado o seu rasto numa noite de terror. Sentiu um arrepio na espinha e…

-Buh!!!! – gritou-lhe Mary Anne, pondo-lhe a mão nas costas.

John assustou-se e deu um salto. Uma salamandra saiu entre os cacos.

-É o que eu digo… És mesmo menino da mamã!

John engoliu em seco e resolveu ripostar convictamente:

-Agora talvez seja a parte em que eu digo “Vamos fazer um lanchinho”. Deve ser isso que estás à espera que eu diga. Mas na realidade estás ainda com mais medo do que eu! Não te armes em forte! E afinal de contas estamos nisto juntos! Deixa-te de tretas e avancemos!

Mary Anne ficou espantada e percebeu que ele perdera a paciência. Talvez fosse boa ideia mudar de atitude. Não podia ter o prejuízo de o perder.

-Desculpa, mas as tuas hesitações às vezes põe-me à beira de um ataque de nervos. – afirmou com um ar doce e angelical, capaz de convencer qualquer rapaz a obedecer-lhe – Vamos lá!

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publicado às 14:35


Literatura fantástica IV

por Dona professora, em 07.03.14

-É impossível… Não abre por nada! Parece emperrada. Vamos embora! – disse ele apressadamente.

-Mariquinhas! Na próxima vez convido outra pessoa para vir comigo – disse agressivamente – Pensa mas é numa forma de entrarmos! Quero ver o que está lá dentro!

Ele não estava à espera daquela reação. Restava-lhe pensar como conseguiriam entrar. Olhou em volta à procura de uma solução. Apenas restava a árvore que já tinha partido o telhado, com certeza numa noite de tempestade.

-Só vejo aquela árvore. Já reparaste no buraco que fez no telhado? – perguntou.

-Sim, mas como subiremos? Não somos propriamente macacos para andar aí a trepar às árvores – continuou ela num tom quase ofensivo.

-Bem… não estás muito longe da verdade. A professora de História Christine disse que descendíamos todos dos macacos… Eu estava atento nessa aula – tentou ele suavizar a situação.

-Deixemo-nos de macacadas… Lembra-me novamente… O que trouxeste de casa?

-Trouxe um lanche. Podíamos fazer uma pausa! – sugeriu.

-Uma pausa?! Ainda agora chegámos… não trouxeste mais nada? – inquiriu.

-Claro que trouxe… Não é só uma mulher prevenida que vale por duas… os homens também são prevenidos. Vejamos… - disse remexendo na mochila - tenho aqui a corda, o telemóvel e o canivete que roubei ao meu pai… nunca sabe se não vamos precisar dele. Para entrar acho que podemos passar a corda pelo ramo da árvore que entra na casa e tentar trepar…

Mary Anne acompanhou o olhar de John. Observou e concordou que talvez aquela fosse a única solução para entrarem.

-O ramo parece instável! – analisou John - Temos de ir um de cada vez e com cuidado.

John tentou inúmeras vezes, mas a corda teimava em não passar. Precisava de peso para direcionar a corda. Então, lembrou-se do que aprendera com o sábio avô. Este fora um homem do mar, conhecia todos os nós e para que serviam. Fez um nó na ponta e facilmente a corda passou. Em seguida efetuou um nó de correr, criando uma laçada por onde passou a outra ponta. A corda ficou presa em segurança. Agora restava fazer figas para que o ramo não partisse.

-Vá, menino da mamã. Também tens medo de subir ou queres fazer uma pausa para lanche?! –brincou, num tom irónico.

-Afinal qual é o teu problema? A tua curiosidade está a tornar-te um bocadinho agressiva, não? – John estranhou novamente o tom de voz com que lhe falava. Parecia que ela estava a fazer de propósito para o provocar. Decidiu fingir não perceber e continuar o plano inicial -“Ladies first” – disse com um sotaque demasiado britânico.

Mary Anne dirigiu-se com um ar decidido e subiu com muita facilidade. Ele ficou espantado com as suas habilidades e pensou que afinal não deveria ter faltado às aulas de Educação Física. Suou as estopinhas, mas também ele conseguiu chegar a bom porto. Olhou para as mãos e viu as marcas do seu esforço. Puxou a corda e encaminhou-se para o interior da casa. Desceram ambos e chegaram a uma divisão que outrora fora a casa de banho. 

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publicado às 11:15


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