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Literatura fantástica (XII)

por Dona professora, em 26.06.14

Tovin era um jovem rapaz que aparentava ter seis anos. Usava uns óculos azuis e vermelhos e tinha um remoinho na sua franja que lhe dava um ar aluado. Parecia um artista perdido no tempo. De estatura baixa, aparentava uma fragilidade que contrastava com o facto de ter o poder de trespassar objetos. De súbito a sua cabeça surgiu no meio do caixote.  Parecia que tinha sido decapitado. Mas não, simplesmente atravessara novamente a caixa. Desta vez queria perceber o que se passava. Parecia que estava a avaliar o nível de tensão ou perigo que representava John.

-Estás preparado? – perguntou Mary Anne – Tovin, vem conhecer este meu amigo.

-Se estou preparado? Não me deixes mais assustado do que já estou... Quando uma pessoa começa uma história por “estás preparado” coisa boa não é na certa! – disse assertivamente como se soubesse o que iria ouvir – Afinal quem é o teu irmão trinca-espinhas com ar de artista?

-Duh... Diz o roto ao nu, o que tens vestido tu! Já te olhaste ao espelho? O meu irmão poderia muito bem passar por ti há uns anos – comentou sarcasticamente.

-Deixemo-nos de trocas de acusações. Não pretendia ofender o teu irmão... ou o que que seja que ele é... mas depois de tudo o que me fizeste passar acho que está na altura de me contares TODA a verdade.

-Tens razão. – concordou Mary Anne - Como já deves ter percebido esta é a minha casa e vivi cá toda a minha vida com a minha família.

-Viveste aqui? Como assim? Esta casa tem estado abandonada desde sempre. Nunca cá viveram pessoas, ou pelo menos, ninguém se lembra de ver cá alguém. Temos de sair daqui, Mary Anne. Os meus pais devem andar loucos de desespero à minha procura.

-Tem calma. Já deves ter reparado que nada aqui é normal. Se reparares o tempo parou há muito. Lá fora é inverno e não aquela tarde soalheira que estava quando entramos aqui. Na realidade não estás preso nesta casa há horas e dificilmente haverá alguém à tua procura neste momento. Entraste numa nova dimensão assim que puseste os pés nesta casa. A minha dimensão!

-Mas porque é que me atraiste aqui? Que raio de criatura és tu? Quero sair daqui! – pediu John com um gesto suplicante.

-Não me chames criatura! – disse com um ar zangado - Queres morrer aqui!?!

Os seus olhos irradiavam sangue e transpareciam uma raiva profunda recalcada por anos de sofrimento.

-Acalma-te! Já viste o que passei? Eu quero sair daqui... – tentou convencer John.

-Sim, mas primeiro tens de me ajudar e só tu me podes ajudar. Tu foste o escolhido.

-Escolhido? Escolhido para quê? – questionou com um ar surpreso -Para de falar por enigmas e explica tudo de uma vez. 

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publicado às 11:06


Literatura Fantástica (XI)

por Dona professora, em 11.06.14

                 Dito isto a névoa dissipou-se e surgiu ao longo de uma porta que parecia não existir minutos antes.  John compreendeu que deveria então seguir a névoa, pois também ela era uma instrução. Ao tentar abrir a porta, a maçaneta desprendeu-se e simultaneamente uma engenhoca, que mais parecia umas escadas, surgiu do teto. Uma espécie de fumo saía daquele alçapão.  Aquela engenhoca parecia frágil e nem ele próprio percebia como tinha sido construída. Avançava vagarosamente como que a planear cada passo a dar. Parecia que alguém o perseguia porque os seus passos eram acompanhados de um segundo som, como se as suas passadas tivessem um eco. 

               À medida que subia, perguntava-se a si próprio o que encontraria na próxima divisão daquela casa tão estranha e fantasmagórica. Aquela escadaria fazia lembrar os engenhos dos livros de steampunk que já lera. Tinha rodas e deitava vapor por entre as fendas e junções douradas do corrimão.

               Para além do eco, distinguiu um som diferente – pfffffffffffffffff - Estava quase a alcançar o topo quando a escadaria se desmatelou. Ficou preso pelos braços na borda do alçapão.  O seu coração parecia que tinha parado, as forças estavam a esgotar-se e com o esforço começava a sentir o seu corpo a desmaiar. Pensou para si mesmo se seria assim que iria morrer. A visão ficou turva e deixou-se ir. As forças abandonavam os seus braços. Nos momentos antes de desmaiar teve oportunidade de ver um vulto feminino de cabelo negro. Parecia  o anjo da morte a esperá-lo.

            Fez-se escuridão.

 

*****************************************************************************************************************

 

                Ouvia uma voz indistinta ao longe, abria lentamente os olhos e esforçava-se por recuperar as forças. Afinal o vulto do anjo da morte era Mary Anne. Esta tinha salvado  o seu amigo da eminente queda.  Tudo parecia uma enorme confusão na sua mente. Não conseguia perceber o que acontecera e como é que Mary Anne estava ali à sua frente. Como poderia ela tê-lo salvado se ele não sabia do paradeiro dela há horas? Onde estava ela afinal de contas? Ou pior... O que queria ela dele?

                -Vejo que te sentes melhor. – disse Mary Anne - Queres um copo de água?

                -O que aconteceu?  - perguntou ainda confuso.

                -Deixa-te ficar um pouco aí para recuperares as forças... Já falamos.

Sentia-se demasiado fraco e confuso para sequer contestar.  Recostou-se e olhou em volta. Parecia estar num sótão  onde reinava uma imensidão de caixas  de papelão e maquinetas douradas  que deitavam vapores estranhos.  Havia um burburinho maquinal que se espalhava por toda a divisão. Ao fundo estava uma pequena janela, típica de umas águas-furtadas. Estranhamente, o dia de sol de algumas horas atrás dera lugar a um dia invernoso com direito a neve. Levantou-se com esforço, caminhou até à janela e viu que lá fora a casa estava rodeada de uma floresta sombria, coberta por um enorme manto de neve. Apenas uma única árvore não estava branca: a árvore que outrora tombara para cima da casa, partindo o telhado. Agora ela era uma árvore frondosa e hirta. Não eram visíveis pegadas ou sequer o caminho por onde tinham entrado. 

               -É agora que me vais contar o que se passa? Ou melhor... contar-me a história da tua família? – inquiriu, quase fuzilando a rapariga com o olhar. – Por que raio estou aqui... Foste tu não foste? PORQUÊ? – terminou o inquérito com um berro assertivo.

A criança que estava entretida a um canto com os seus brinquedos semelhantes a legos arregalou os olhos e começou a chorar assustado.

             -Vê se não berras tão alto... Assustaste o meu irmão – pediu Mary Anne – vê se te acalmas, por favor.

              A criança fugiu para o outro lado do sótão e escondeu-se por trás de um caixote.  Mas durante o seu percurso não se desviou dos obstáculos, simplesmente passava através das caixas como se de um fantasma se tratassse.

              -O teu... irmão? Estás a dizer que aquela “coisa” fantasmagórica  é o teu irmão? Foi ele que nos trouxe até aqui?

             -Tem calma que chegou a hora de te explicar tudo. Agora chegou a hora de cumprires a tua missão e ajudares a minha família.  – disse enquanto se sentava num banco perto de John.

              -John, deixa-me apresentar-te o meu irmão, Tovin. 

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publicado às 09:22


O meu tesouro

por Dona professora, em 05.06.14

O meu tesouro

 

No espaço perdido

E lindo como tu,

Procurava um tesouro

E o tesouro eras tu.

 

Um jovem rendido,

Ali estava eu,

de braços cruzados

a olhar para o céu.

 

Acompanhado e sozinho,

Sentado a pensar,

Com um sol varrido

E deitado no mar.

 

E lá estava eu,

Sentado ali,

Num dia de sol

A olhar para ti...

 

 

                         Afonso Pimentel, 6ºA

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publicado às 23:17


Vida

por Dona professora, em 05.06.14

Vida

 

A Vida é uma piscina de sonhos,

Um balde de alegria a transbordar

E às vezes uma torneira a pingar de tristeza.

 

A vida tem altos e baixos,

Tristezas e alegrias,

Surpresas inesperadas...

 

A vida é inevitável,

Mas há pessoas que desistem

E não se apercebem

Que outras davam tudo para não a perder.

 

 

                                                   Xavier Falcão, 6º A

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publicado às 23:15


Para o PAI

por Dona professora, em 05.06.14

Para o PAI

 

O meu pai é meu amigo,

Amigo do meu coração.

Estar na sua companhia

É uma grande satisfação.

 

Jogar ténis com o meu pai

é uma grande diversão,

Mas quando eu lhe ganho,

Ele quase perde a razão.

 

Gosto do meu pai até ao infinito,

Porque para mim ele é o mais bonito.

 

 

                                       Gonçalo Lemos, 6ºA

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publicado às 23:12


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