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Alcoviteira

por Dona professora, em 04.02.14

 

Quando o Frade embarcou, veio uma Alcoviteira, cujo o nome é  Brízida Vaz,  a mesma chegando à barca infernal diz desta maneira:

Brí.               Oula da barca, oula!

Dia.   Quem chama?

Brí.                Brízida Vaz.

 

 

Dia.   E, aguarda-me rapaz,

         como não vem ela já?

Comp. Diz que não vem

         Sem Joana de Valdês.

Dia.   Entr e rema!

Brí.    Não quero entrar.

Dia.   Que saboroso receio!

Brí.    Não é essa a barca que procuro

Dia.   E trazes muita bagagem?

Brí.    O que me convem

Dia.   E o que pensas tu levar?

Brí.    Seiscentos himenes posticos

         e três arcas de feitiços,

         que não podem mais levar.

                     três armários de mentir, 

         e cinco cofres  de mexericos, 

         e alguns roubos alheos,

         como, joias de vestir,

         guarda roupa,

         por último, a tenda,

         um pouco de cortiça,

         com dez almofadas de enganar,

 

         A maior carga que tenho,

         São essas moças que vendia.

         Desta mercadoria,

         trago eu muita, na verdade!

         Hui! E eu vou para o paraiso

Dia.  E quem te disse a ti isso?

Brí.    La ei eu de ir

         Eu sou uma martir!

         Acoitos tenho levados,

         e sofrimento suportado,

         que niguem me foi igual.

         Se eu fosse para o inferno

         para la ira todo o mundo!

         A barca, do fundo,

         eu vou, que e mais real

 

                       

 

E, chegando à Barca da Glória, diz ao Anjo:

Brí.      Barqueiro, mano, meus olhos,

           prancha a Brigida Vaz

 Anjo   Eu não sei porque estás cá.

Brí.      Peco vos de joelhos!

           Cuida de mim!

           Anjo deus, minha rosa

           Eu sou a Brigida Vaz, a preciosa,

           que dava as mocas aos molhos

            que criava as meninas

            para os conegos da se

 

 

 

            Passai me, por vossa fé,

            meu amor, minhas florinhas,

            olhos de perolas finas!

 

            E eu sou apostelada, 

            angelada e martelada, 

            e fiz coisas divinas.

 

            Santa Ursula não converteu

            tantas moças como eu,

            que nenhuma se perdeu!

            E prove áquele que está no céu,

            que todas acharam marido.

            Achas que dormia?

            Nem um instante perdi.

Anjo     Ora vai embarcar

            E deixa de me importonar

Brí.       Mas estou eu a contar

            porque me ás de levar!

Anjo     Não percas tempo em continuar

            Porque aqui não podes embarcar.

Brí.       E que ma hora eu vim,

            pois não me vou aproveitar!

 

Torna-se Brízida Vaz à Barca do Inferno, dizendo:

Brí.       Barqueiro pecador,

            Onde está a prancha, que eu vou

            e já a muito que aqui estou,

            e parece mal de fora.

Dia-     Ora, entre minha senhora,

            que aqui serás bem recebida;

            se viveste uma boa vida,

            Irás senti-lo agora....

 

Mariana Forte, 9ºA

 

 

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publicado às 15:44



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