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Literatura fantástica (o fim)

por Dona Professora, em 08.09.14

De repente Mary Anne gritou:

-Eia! Acho que está aqui a solução!

-Mostra! – respondeu!

Debruçaram-se ambos sobre o pergaminho velho que tinha como título: “Mata-demónios”. Aí explicava-se como acabar definitivamente com uma influência demoníaca. Para tal precisavam de pó azul Zeta-Peta, duas gotas de sangue humano diferentes e um líquido verde cujo nome era impossível de pronunciar. Bastava misturar isso num pote em cima da caldeira ardente, guardar o preparo bem quente e tentar atirar o vapor dessa mixórdia para cima da criatura.

Dirigiram-se para a cozinha, recolheram os ingrediates, fizeram o preparo e colocaram-no numa garrafa de sumo que trouxera para o famoso lanchinho. Agora restava encontrar a criatura e essa talvez fosse a parte difícil.

Mary Anne desconfiava que ela estaria numa cave, fechado num calabouço. Decidiram ir até lá. Agora sim, Mary Anne mostrava receio. Parecia que cada passo era pensado cautelosamente para não errar e destruir o plano. Chegaram à cave escura e cheia de teias de aranha. Com a ajuda da lanterna que já fora tão útil no salão conseguiram descobrir o ferrolho do alçapão que os levava aos calabouços. Mary anne tira a lanterna a John, mas as suas mãos trémulas deixaram-na cair e o seu vidro partiu-se, tornando-a obsoleta.

John puxou Mary Anne por um braço e dirigiu-se ao alçapão. Era ele agora o líder da operação.  Apesar do medo que os dominava, abriram o alçapão e logo foram assombrados por uma figura escura, densa que se movimentava nervosamente. À primeira tentativa de libertar o vapor do seu feitiço da garrafa falharam o alvo e agora só tinham uma derradeira tentativa. Se falhassem, nada mais poderiam fazer, pois não havia mais pó azul Zeta-Peta e não saberiam onde encontrá-lo.

John aproximou-se novamente da criatura para distraí-lo enquanto Mary Anne se chegou por trás e abriu lentamente a garrafa. O vapor envolveu toda a criatura e ela esvaiu-se como uma nuvem que desaparece. O desaparecimento gradual daquela “coisa” foi apenas acompanhado por um grito sibilante que parecia romper os tímpanos dos jovens.

Ao mesmo tempo ouviam-se gritos no sótão:

-Mary Anne, onde estás? Mary...

Era o irmão que gritava desesperado por estar sozinho. Quando chegaram até ele, corria de um lado para o outro, batendo em todas as caixas e móveis que encontrava pela frente. Perdera o poder de trespassar objetos. A casa começou a tremer, um buraco negro abriu-se no chão quando de repente:

-John, ACORDA!!!!  Estás atrasado para a escola!

-Atrasado, parece que nem dormi! Que pesadelo terrível. Parecia tudo tão real... Tenho de deixar de ler livros de high fantasy.

Vestiu-se à pressa e nem lavou a cara. Saiu porta fora, e quando passou por aquela casa não conseguiu deixar de pensar no que sonhara. Afinal a casa estava ali como sempre estivera: de portão aberto, janelas partidas e árvore tombada. Não havia neve, apenas um denso matagal de ervas daninhas.

Entrou na escola a correr, bateu à porta e pediu licença à professora de Português:

-Posso entrar?

-John, tão atrasado. Para variar as aulas à quinta-feira começam sempre às 9h e tu chegas às 9h15. Ainda não percebeste o horário ao fim de quase um ano letivo? Bem, não interessa, és um caso perdido! Senta-te no teu lugar e aproveito para te apresentar a nova colega que veio transferida de outra escola. Mary Anne Anderson.

 

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publicado às 09:43


Literatura Fantástica (XIII)

por Dona Professora, em 17.07.14

-Comecemos pelo início... Há muito tempo... mesmo há muito tempo... melhor, há cerca de 100 anos vivia aqui a minha família. Éramos uma família feliz, mas com hábitos peculiares. Descendemos de uma linhagem de feiticeiros, no entanto, sempre recusamos esta tradição, porque os nossos antepassados tiveram fins trágicos. De modo a evitar uma infelicidade igual procuramos viver uma vida o mais normal possível. No entanto essa nossa liberdade tinha um preço. Para não sermos atormentados por uma criatura diabólica fizemos um pacto com ela. Em cada dez anos esta teria de receber uma alma para se alimentar. Esta criatura vivia num compartimento secreto na cave, nos calabouços da casa. Certo dia, lembro-me do momento em que toda a casa tremeu e por todo lado ecoava um barulho ensurdecedor. Chegara o momento do sacrifício e de entregar uma nova alma. A última vez que isso tinha acontecido eu ainda não era nascida. Os meus pais falavam apenas por códigos sobre o dia em que tinham alimentado a criatura pela última vez. Parecia ser algo proibido e eles apenas se referiam como “aquele dia que nós sabemos”.  Os meus pais sabiam que agora tinham novamente de fazer um sacrifício, mas também sabiam que a criatura iria pedir uma alma jovem. E por jovem queria dizer uma criança, ou seja, um de nós. Obviamente que os meus pais recusaram. O castigo foi ainda mais trágico do que qualquer outra tragédia que tenha marcado a nossa família. A criatura resolveu ficar com o meu irmão e os meus pais desesperados tentaram negociar com a criatura faminta. Em vão...

-Uau... isso parece demasiado dantesco e típico de um filme de terror – comentou incrédulo John sem saber se deveria acreditar ou não nas palavras de Mary Anne – Mas espera... tu disseste que isto tudo aconteceu há cem anos! Cem anos?! Como assim se tu estás aqui?

Mary Anne explicou então que no momento em que a criatura roubou a alma do seu irmão os pais tentaram libertar o filho. No meio da confusão, a criatura zangou-se, perdeu a cabeça e criou uma tempestade de neve cujo manto cem anos depois ainda cobria o jardim e a casa. De repente caiu uma árvore, que partiu o telhado, entrou pela casa de banho e matou os seus pais que se encontravam ali trancados protegendo a filha mais velha.

-Ah... isso explica a neve e o facto de a árvore estar ali no meio do jardim, imponente e sem neve! Mas não explica porque é que me atraiste até aqui nem o teu aspeto juvenil... Afinal tu poderias ser a minha bisavó!

-Respeitinho aos mais velhos! – sorriu secamente – Mas continuemos e tudo fará sentido para ti. No momento em que a criatura levou os meus pais deixou-me um recado. Avisou-me que eu ficaria presa eternamente no meu corpo de adolescente, sozinha no mundo, até lhe dar uma nova alma. Até lá poderia conviver com o meu irmão, Tovin, mas este nunca seria real de carne e osso. 

John ouvia atento aquela história mirabolante, arregalando os olhos em cada frase. Mary Anne continuou a contar-lhe o que sucedera nos anos seguintes. Foi então que explicou que tinha uma missão na vida: recuperar o seu irmão! Para isso precisava oferecer uma alma à criatura por forma a que Tovin recuperasse a forma humana e tentassem viver uma vida dentro da normalidade possível.

-Ok! Mas… Porquê eu? Queres matar-me? É isso? – perguntou John com um sentimento de pavor a subir-lhe pela espinha.

-Querer, queria! Tu eras um alvo fácil – explicou – O problema é que me habituei a ti a afeiçoei-me a ti. Seria injusto, principalmente depois de tudo o que passaste nesta casa e por nunca teres desistido de mim, ou melhor, de me salvar... Por isso, como posso eu matar-te!?

-Agradecido por essa decisão tão bondosa! – disse John com o sarcasmo que aprendera com Mary Anne.

-Portanto agora não sei o que fazer! – disse olhando com tristeza para Tovin que já saira de trás da caixa e já brincava novamente com os seus legos.

-Então, já que me livraste da morte certa, temos de pensar seriamente em como salvar o teu irmão! Dizias que a tua família era uma família de feiticeiros que recusava usar magia para sobreviver! Não haverá livros por aí que nos possam ajudar? – John tentou ser racional no meio daquela confusão e histórias rocambolescas.

-Quer dizer está ali um baú cheio de escritos que os meus pais juraram nunca abrir – disse, apontando para uma arca antiga.

A arca tinha cerca de um metro quadrado, era preta com tachas douradas que formavam um pentagrama invertido. Resolveram abrir o baú. A fechadura estava perra, mas com a ajuda do canivete que trouxera de casa conseguiram forçar o cadeado. Sentraram-se os dois no chão, em posição de chinês e vasculharam tudo o que lá havia. Eram papéis com pó amarelados com uma caligrafia impecavelmente irrepreensível. Existiam receitas para tudo: invisibilidade, superforça, mutação, visão ultradimensional, imortalidade e tudo aquilo que possa passar pela cabeça de alguém ou que até mesmo ninguém ousara pensar. 

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publicado às 12:31


Literatura fantástica (XII)

por Dona Professora, em 26.06.14

Tovin era um jovem rapaz que aparentava ter seis anos. Usava uns óculos azuis e vermelhos e tinha um remoinho na sua franja que lhe dava um ar aluado. Parecia um artista perdido no tempo. De estatura baixa, aparentava uma fragilidade que contrastava com o facto de ter o poder de trespassar objetos. De súbito a sua cabeça surgiu no meio do caixote.  Parecia que tinha sido decapitado. Mas não, simplesmente atravessara novamente a caixa. Desta vez queria perceber o que se passava. Parecia que estava a avaliar o nível de tensão ou perigo que representava John.

-Estás preparado? – perguntou Mary Anne – Tovin, vem conhecer este meu amigo.

-Se estou preparado? Não me deixes mais assustado do que já estou... Quando uma pessoa começa uma história por “estás preparado” coisa boa não é na certa! – disse assertivamente como se soubesse o que iria ouvir – Afinal quem é o teu irmão trinca-espinhas com ar de artista?

-Duh... Diz o roto ao nu, o que tens vestido tu! Já te olhaste ao espelho? O meu irmão poderia muito bem passar por ti há uns anos – comentou sarcasticamente.

-Deixemo-nos de trocas de acusações. Não pretendia ofender o teu irmão... ou o que que seja que ele é... mas depois de tudo o que me fizeste passar acho que está na altura de me contares TODA a verdade.

-Tens razão. – concordou Mary Anne - Como já deves ter percebido esta é a minha casa e vivi cá toda a minha vida com a minha família.

-Viveste aqui? Como assim? Esta casa tem estado abandonada desde sempre. Nunca cá viveram pessoas, ou pelo menos, ninguém se lembra de ver cá alguém. Temos de sair daqui, Mary Anne. Os meus pais devem andar loucos de desespero à minha procura.

-Tem calma. Já deves ter reparado que nada aqui é normal. Se reparares o tempo parou há muito. Lá fora é inverno e não aquela tarde soalheira que estava quando entramos aqui. Na realidade não estás preso nesta casa há horas e dificilmente haverá alguém à tua procura neste momento. Entraste numa nova dimensão assim que puseste os pés nesta casa. A minha dimensão!

-Mas porque é que me atraiste aqui? Que raio de criatura és tu? Quero sair daqui! – pediu John com um gesto suplicante.

-Não me chames criatura! – disse com um ar zangado - Queres morrer aqui!?!

Os seus olhos irradiavam sangue e transpareciam uma raiva profunda recalcada por anos de sofrimento.

-Acalma-te! Já viste o que passei? Eu quero sair daqui... – tentou convencer John.

-Sim, mas primeiro tens de me ajudar e só tu me podes ajudar. Tu foste o escolhido.

-Escolhido? Escolhido para quê? – questionou com um ar surpreso -Para de falar por enigmas e explica tudo de uma vez. 

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publicado às 11:06


Literatura Fantástica (XI)

por Dona Professora, em 11.06.14

                 Dito isto a névoa dissipou-se e surgiu ao longo de uma porta que parecia não existir minutos antes.  John compreendeu que deveria então seguir a névoa, pois também ela era uma instrução. Ao tentar abrir a porta, a maçaneta desprendeu-se e simultaneamente uma engenhoca, que mais parecia umas escadas, surgiu do teto. Uma espécie de fumo saía daquele alçapão.  Aquela engenhoca parecia frágil e nem ele próprio percebia como tinha sido construída. Avançava vagarosamente como que a planear cada passo a dar. Parecia que alguém o perseguia porque os seus passos eram acompanhados de um segundo som, como se as suas passadas tivessem um eco. 

               À medida que subia, perguntava-se a si próprio o que encontraria na próxima divisão daquela casa tão estranha e fantasmagórica. Aquela escadaria fazia lembrar os engenhos dos livros de steampunk que já lera. Tinha rodas e deitava vapor por entre as fendas e junções douradas do corrimão.

               Para além do eco, distinguiu um som diferente – pfffffffffffffffff - Estava quase a alcançar o topo quando a escadaria se desmatelou. Ficou preso pelos braços na borda do alçapão.  O seu coração parecia que tinha parado, as forças estavam a esgotar-se e com o esforço começava a sentir o seu corpo a desmaiar. Pensou para si mesmo se seria assim que iria morrer. A visão ficou turva e deixou-se ir. As forças abandonavam os seus braços. Nos momentos antes de desmaiar teve oportunidade de ver um vulto feminino de cabelo negro. Parecia  o anjo da morte a esperá-lo.

            Fez-se escuridão.

 

*****************************************************************************************************************

 

                Ouvia uma voz indistinta ao longe, abria lentamente os olhos e esforçava-se por recuperar as forças. Afinal o vulto do anjo da morte era Mary Anne. Esta tinha salvado  o seu amigo da eminente queda.  Tudo parecia uma enorme confusão na sua mente. Não conseguia perceber o que acontecera e como é que Mary Anne estava ali à sua frente. Como poderia ela tê-lo salvado se ele não sabia do paradeiro dela há horas? Onde estava ela afinal de contas? Ou pior... O que queria ela dele?

                -Vejo que te sentes melhor. – disse Mary Anne - Queres um copo de água?

                -O que aconteceu?  - perguntou ainda confuso.

                -Deixa-te ficar um pouco aí para recuperares as forças... Já falamos.

Sentia-se demasiado fraco e confuso para sequer contestar.  Recostou-se e olhou em volta. Parecia estar num sótão  onde reinava uma imensidão de caixas  de papelão e maquinetas douradas  que deitavam vapores estranhos.  Havia um burburinho maquinal que se espalhava por toda a divisão. Ao fundo estava uma pequena janela, típica de umas águas-furtadas. Estranhamente, o dia de sol de algumas horas atrás dera lugar a um dia invernoso com direito a neve. Levantou-se com esforço, caminhou até à janela e viu que lá fora a casa estava rodeada de uma floresta sombria, coberta por um enorme manto de neve. Apenas uma única árvore não estava branca: a árvore que outrora tombara para cima da casa, partindo o telhado. Agora ela era uma árvore frondosa e hirta. Não eram visíveis pegadas ou sequer o caminho por onde tinham entrado. 

               -É agora que me vais contar o que se passa? Ou melhor... contar-me a história da tua família? – inquiriu, quase fuzilando a rapariga com o olhar. – Por que raio estou aqui... Foste tu não foste? PORQUÊ? – terminou o inquérito com um berro assertivo.

A criança que estava entretida a um canto com os seus brinquedos semelhantes a legos arregalou os olhos e começou a chorar assustado.

             -Vê se não berras tão alto... Assustaste o meu irmão – pediu Mary Anne – vê se te acalmas, por favor.

              A criança fugiu para o outro lado do sótão e escondeu-se por trás de um caixote.  Mas durante o seu percurso não se desviou dos obstáculos, simplesmente passava através das caixas como se de um fantasma se tratassse.

              -O teu... irmão? Estás a dizer que aquela “coisa” fantasmagórica  é o teu irmão? Foi ele que nos trouxe até aqui?

             -Tem calma que chegou a hora de te explicar tudo. Agora chegou a hora de cumprires a tua missão e ajudares a minha família.  – disse enquanto se sentava num banco perto de John.

              -John, deixa-me apresentar-te o meu irmão, Tovin. 

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publicado às 09:22


O meu tesouro

por Dona Professora, em 05.06.14

O meu tesouro

 

No espaço perdido

E lindo como tu,

Procurava um tesouro

E o tesouro eras tu.

 

Um jovem rendido,

Ali estava eu,

de braços cruzados

a olhar para o céu.

 

Acompanhado e sozinho,

Sentado a pensar,

Com um sol varrido

E deitado no mar.

 

E lá estava eu,

Sentado ali,

Num dia de sol

A olhar para ti...

 

 

                         Afonso Pimentel, 6ºA

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publicado às 23:17


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