Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Literatura fantástica IV

por Dona Professora, em 07.03.14

-É impossível… Não abre por nada! Parece emperrada. Vamos embora! – disse ele apressadamente.

-Mariquinhas! Na próxima vez convido outra pessoa para vir comigo – disse agressivamente – Pensa mas é numa forma de entrarmos! Quero ver o que está lá dentro!

Ele não estava à espera daquela reação. Restava-lhe pensar como conseguiriam entrar. Olhou em volta à procura de uma solução. Apenas restava a árvore que já tinha partido o telhado, com certeza numa noite de tempestade.

-Só vejo aquela árvore. Já reparaste no buraco que fez no telhado? – perguntou.

-Sim, mas como subiremos? Não somos propriamente macacos para andar aí a trepar às árvores – continuou ela num tom quase ofensivo.

-Bem… não estás muito longe da verdade. A professora de História Christine disse que descendíamos todos dos macacos… Eu estava atento nessa aula – tentou ele suavizar a situação.

-Deixemo-nos de macacadas… Lembra-me novamente… O que trouxeste de casa?

-Trouxe um lanche. Podíamos fazer uma pausa! – sugeriu.

-Uma pausa?! Ainda agora chegámos… não trouxeste mais nada? – inquiriu.

-Claro que trouxe… Não é só uma mulher prevenida que vale por duas… os homens também são prevenidos. Vejamos… - disse remexendo na mochila - tenho aqui a corda, o telemóvel e o canivete que roubei ao meu pai… nunca sabe se não vamos precisar dele. Para entrar acho que podemos passar a corda pelo ramo da árvore que entra na casa e tentar trepar…

Mary Anne acompanhou o olhar de John. Observou e concordou que talvez aquela fosse a única solução para entrarem.

-O ramo parece instável! – analisou John - Temos de ir um de cada vez e com cuidado.

John tentou inúmeras vezes, mas a corda teimava em não passar. Precisava de peso para direcionar a corda. Então, lembrou-se do que aprendera com o sábio avô. Este fora um homem do mar, conhecia todos os nós e para que serviam. Fez um nó na ponta e facilmente a corda passou. Em seguida efetuou um nó de correr, criando uma laçada por onde passou a outra ponta. A corda ficou presa em segurança. Agora restava fazer figas para que o ramo não partisse.

-Vá, menino da mamã. Também tens medo de subir ou queres fazer uma pausa para lanche?! –brincou, num tom irónico.

-Afinal qual é o teu problema? A tua curiosidade está a tornar-te um bocadinho agressiva, não? – John estranhou novamente o tom de voz com que lhe falava. Parecia que ela estava a fazer de propósito para o provocar. Decidiu fingir não perceber e continuar o plano inicial -“Ladies first” – disse com um sotaque demasiado britânico.

Mary Anne dirigiu-se com um ar decidido e subiu com muita facilidade. Ele ficou espantado com as suas habilidades e pensou que afinal não deveria ter faltado às aulas de Educação Física. Suou as estopinhas, mas também ele conseguiu chegar a bom porto. Olhou para as mãos e viu as marcas do seu esforço. Puxou a corda e encaminhou-se para o interior da casa. Desceram ambos e chegaram a uma divisão que outrora fora a casa de banho. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:15


Literatura Fantástica (III)

por Dona Professora, em 27.02.14

Apesar do desejo de ir até àquela casa misteriosa, John e Mary Anne sabiam que tinham de ser rápidos, mas cautelosos. Afinal não queriam levar um ralhete por demorar tanto a chegar a casa depois das aulas.

A casa estava situada no topo de uma colina. Ao aproximarem-se tiveram de ganhar coragem para subir até às suas imediações. Todos os dias passavam à beira da casa, mas hoje era preciso coragem para entrar. Chegados ao portão, John sentiu um calafrio e por momentos hesitou. Não desistiu da ideia de entrar porque queria impressionar Mary Anne. Agora era tarde demais para se acobardar. Mary Anne olhou para ele com um olhar desafiador:

- Chegámos… Estás pronto? É agora ou nunca!

-Hmpf… si-si-sim…

Observaram o portão. Este outrora fora verde, mas agora sobrepunha-se a ferrugem. John já uma vez tinha entrado. O portão estava sempre aberto e ele nunca se lembrava de alguma tê-lo visto fechado. A distância do portão à casa não era muita, já tinha inclusivamente espreitado para dentro do edifício antigo, mas mais do que isso não fora capaz de ousar. Agora era o momento de finalmente entrar e explorar aquele lugar que tanta curiosidade lhe despertava.

Levantava-se uma aragem mais forte. Deram os primeiros passos em direção à casa quando de repente ouviram o ranger do portão a romper por entre a ferrugem. Seguiu-se um estrondo, Mary Anne gritou e abraçou o novo amigo, porém este não sabia como reagir. Entre o susto e o pouco à vontade que sentiu com aquele abraço, John perguntou:

-O que foi isto? Estás bem? O portão fechou-se?! – estranhou.

-O portão fechou-se… achas que foi o vento? – sugeriu Mary Anne.

-Com certeza… - esforçou-se ele por acreditar naquela teoria. Desembaraçou-se de Mary Anne com uma sacudidela e foram até à porta sem pensar muito se o portão abriria ou não quando quisessem sair. Os seus passos eram vagarosos e ouvia-se o pisar dos ramos secos no chão. Aquele era o momento da verdade. A mão trémula do rapaz aproximou-se da maçaneta. Uma gordura viscosa pingava do manípulo. Mesmo assim, John tentou abrir a porta. Abanou, empurrou, pontapeou… e nada! A porta não cedeu! 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:47


Projeto: Literatura Fantástica (II)

por Dona Professora, em 13.02.14

 

Apesar da obsessão de todos por esta nova aluna, ela parecia a única a reparar em John. Afinal este parecia nem sequer reparar nela, apesar de já ter passado  uma semana desde que tinha chegado. Ao longe Mary Anne observava John isolado, num banco da escola a ler um livro. Resolveu falar com ele.

-Olá. Chamo-me Mary Anne e sou nova na escola. Reparei que estás sozinho. Posso fazer-te companhia? – questionou com alguma curiosidade e receio de ser afastada.

-Hmmm… cla… claro! – gaguejou John surpreendido com aquela abordagem.

- Reparo que estás a ler. Mudei de casa recentemente e os meus livros ainda não chegaram… Adoro ler e não sei como ocupar os tempos livres. Sabes como funciona a biblioteca da nossa escola? – perguntou novamente.

-Saber, sei, mas não adianta, pois está fechada para obras. – explicou John – No entanto, posso emprestar-te algum livro. Gostas de mistérios? Tenho vários do género em casa.

-Gostava muito. É claro se não te importares. Será que posso ir contigo à tua casa? Reparei que fazes o mesmo caminho que eu para a escola. – sugeriu Mary Anne.

E assim aconteceu… No fim das aulas, encontraram-se no portão e caminharam juntos. Era a primeira vez que alguém o acompanhava a casa. Sentia-se encabulado, sem saber o que dizer. Nervoso, mas entusiasmado por alguma coisa nova finalmente acontecer na sua vida.

No caminho passaram pela dita casa abandonada. John não conseguiu desviar o olhar da sua curiosidade obsessiva. Perspicaz, Mary Anne percebeu o interesse que sentia e aproveitou a oportunidade para tentar perceber a reação do rapaz:

- Aquela casa…. Parece abandonada há muitos anos… Ninguém vive lá, pois não?

- Não, não vive lá ninguém – explicou – nunca ninguém viu lá pessoas. Dizem que está assombrada, mas por alguma razão eu gostava de lá entrar… contudo, falta-me a coragem.

Mary Anne registou na mente aquela informação e dias mais tarde surgiu o convite inevitável:

- Sabes, John, tenho pensado naquela casa… despertou-me a curiosidade. Se tiveres coragem estou disposta a ir contigo. Só precisamos de saber como lá entrar.

No dia seguinte, John apresenta o que trouxera de casa: uma lanterna, o telemóvel, uma corda e o canivete suíço que tinha surripiado ao pai. Para agradar a Mary Anne até um pequeno lanche tinha trazido. No fim das aulas puseram-se a caminho. O entusiasmo pela companhia da colega misturava-se com o medo do desconhecido. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:33


Projeto: literatura fantástica

por Dona Professora, em 04.02.14

No âmbito da escrita extensiva, os alunos do 8.º ano têm vindo a desenvolver um projeto que consiste em escrever um conto fantástico. Posteriormente, pretende-se ilustrar, encadernar e disponibilizar o texto na biblioteca para que todos os colegas possam partilhar este texto que tanto os tem divertido. Fiquem com o início da história... esperemos que gostem! 

 

 

 

Estava a ficar de noite. John vinha da escola. Todos os dias passava em frente àquela casa. Era uma casa abandonada prestes a cair. O silêncio do crepúsculo era apenas interrompido pelo piar de um mocho pousado numa árvore. Os seus ramos outrora caíram sobre o telhado, partindo-o. As portadas das janelas estavam fechadas, mas entre o pó da madeira, John conseguia olhar e ver cortinas rasgadas e os móveis empoeirados. Aquela casa parecia perdida no tempo. Era grande o suficiente para ser uma casa de família, mas ninguém se lembrava de alguém ter lá vivido. Também ninguém ousara lá entrar. Aquelas ruínas despertavam a curiosidade de John, mas o seu receio pelo inesperado impedira-o sempre de lá entrar.

 

John era um rapaz com os seus 13 anos, com um ar franzino e frágil. Louro, de pele clara e olhos azuis reluzentes. Frequentemente era confundido por um rapaz de outra nacionalidade. Os colegas olhavam-no com desprezo, incapazes de reconhecer a sua inteligência. Tímido, nunca falava com ninguém. Mantinha para si próprio os mais íntimos pensamentos. E por isso ninguém imaginava a curiosidade de John sobre aquela casa. Sempre que ali passava tinha vontade de espreitar, ou quem sabe até entrar. Entrar na casa poderia, na mente de John, ser um motivo de respeito e reconhecimento entre os colegas.

 

Aquele tinha sido mais um dia igual a todos os outros, ou seja, péssimo. A única novidade tinha sido Mary Anne. Esta era uma nova aluna. Ninguém sabia nada dela, nem de onde vinha ou vivia. Simplesmente sabiam o seu nome e que era linda. Os seus cabelos pareciam penas de corvo de tão negros que eram. Os seus olhos eram verdes e iluminavam o seu rosto. Mary Anne espalhava mistério e beleza pela escola. Os rapazes estavam pasmados pela sua beleza, as raparigas sentiam inveja. 

 

Texto coletivo, 8º A

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:58


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D