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Ruy Belo

por Dona Professora, em 24.03.14

"E tudo era possível"

 

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)

 

A propósito do poema "E tudo era possível", a aluna Eva Dória fez uma breve apresentação sobre a vida e obra poética de Ruy Belo que podem consultar no link abaixo:

RuyBelo.ppsx

 

 

 

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publicado às 11:47


Manuel Alegre - vida e obra

por Dona Professora, em 31.01.14

 

Quase um auto-retrato

Aos vinte e poucos anos escrevi: “meu poema rimou com a minha vida”. Era ainda muito cedo, não sei sequer se é verdade, embora muitas coisas me tivessem já acontecido: amores, partidas, guerra, revoltas, "prisões baixas". O que mais tarde me levaria a dizer: "biografia a mais". Muito antes, lá pelos vinte, tinha lido uma frase de André Gide que me impressionou. Dizia ele: "a análise psicológica deixou de me interessar desde o dia em que cheguei à conclusão de que cada um é o que imagina que é." Até que ponto sou o que me imaginei ser? Se soubesse pintar (mas não sei) faria o meu auto-retrato a olhar para ontem, ou para dentro, ou para outro lado. Distraído-concentrado, presente-ausente, um não sei quê.

Acusam-me de altivez e narcisismo. É sobretudo reserva, timidez e uma incapacidade física de praticar uma certa forma portuguesa de hipocrisia e compadrio. Ou talvez um tique que herdei de família: levantar a cabeça, olhar a direito.

Tenho desde pequeno a obsessão da morte. Não o medo, mas a consciência aguda e permanente, sentida e vivida com todo o meu ser, de que tudo é transitório e efémero e não há outra eternidade senão a do momento que passa. Talvez por isso seja um homem de paixões. Mas não vivi nunca póstumo, nem me construí literariamente. Sei que nenhum verso vence a morte. E não acredito sequer na literatura.

Na poesia, sim. Mas como ritmo, como música interior, canto e encanto, incantação, exorcismo, uma forma de relação mágica com o mundo. A um professor brasileiro que trabalhava numa tese sobre mim, respondi: "Escrita e vida são inseparáveis. Embora eu entenda a poesia como experiência mágica, algo que está aquém e além da literatura."

Penso, como Teixeira de Pascoais, que "o ritmo é a substância das cousas" e que "a poesia nasceu da dança." Talvez por isso eu goste de flamenco, a música e a dança que estão mais perto do ritmo primordial, da batida do coração e da própria pulsação da terra. Gosto de flamenco e de um certo tipo de fado e dos tangos de Francisco Canaro. E também de Bach e Mozart. Pelas mesmas razões: o ritmo. E da poesia de Lorca que, ao contrário de ideias feitas, nada tem de folclórico ou regionalista, antes se aproxima das energias primitivas e essenciais e é quase, como diria ainda o autor de Marânus, "um bailado de palavras."

Não sei se, como queria Rimbaud, consegui fazer "coincidir a essência da poesia com a existência do poema." Cantei, canto. Demanda, errância. Não há senão esse procurar. Na vida, na escrita. Quando faço aquilo de que gosto, faço-o intensamente. A pesca, por exemplo. Ou a viagem. Ou a partilha: um bom jantar em família com alguns amigos, uma reunião conspirativa, a camaradagem na nunca perdida ilusão de que a revolução ainda é necessária e possível.

Diria que é outra forma de escrita. Intensa, densa, tensa. Como o amor. E talvez a morte.

Herdei de minha mãe uma certa energia, o gosto da intervenção. De meu pai, o desprendimento, uma irresistível e por vezes perigosa tendência para o desinteresse. Inclusivamente pelos bens materiais. Não é por acaso que só me prendo realmente ao que poderia chamar as minhas armas: espingardas propriamente ditas, "gostei muito de caçar", canas de pesca, carretos, canetas, livros (alguns livros), discos. Os grandes espaços: o deserto, o Atlântico, o Alentejo. E sítios. Certas cidades. Outrora agora: Coimbra, Paris, Roma, Veneza, Lisboa. Certos lugares: o Largo do Botaréu, em Águeda, o rio, a ria (de Aveiro), Barra, Costa Nova. Mais recentemente: Foz do Arelho, Barragem de Santa Clara. Certos recantos: a minha casa de Águeda, o solar, já perdido, da minha avó, em S. Pedro do Sul, as casas da minha tia e meus primos na Anadia, a casa de Sophia, a minha casa em Lisboa. A minha mulher, os meus filhos, a minha irmã, os meus amigos. Uma grande saudade dos que morreram, principalmente de meu pai, a quem, por pudor e reserva (somos parecidos), nunca cheguei a dizer em vida o que gostaria de lhe dizer aqui.

 

 

Fonte: http://www.manuelalegre.com/101000/1/index.htm  (consultado em 31/01/2014)

 

A propósito do livro Cão como nós, foi proposto o trabalho de pesquisa sobre o seu autor, Manuel Alegre. Fica a hiperligação do powerpoint realizado pelo Diogo Braga para melhor conhecer este autor. 

 

Manuel Alegre.ppsx

 

Diogo Braga, 7.º ano

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publicado às 11:16


Gabriel Garcia Márquez

por Dona Professora, em 17.10.13

A vida

Gabriel Garcia Márquez nasceu a 6 de março de 1927. Para além de escritor e criador do estilo “Realismo Fantástico”, é jornalista, editor e ativista político colombiano.

 

Com 20 anos, foi estudar Ciências Políticas e Direito na Universidade de Bogotá. Contudo, abandou o curso sem terminá-lo. Posteriormente começou a trabalhar como jornalista. Em 1958 casou-se com Mercedez Barcha com quem teve dois filhos. Mais tarde, foi trabalhar para Nova Iorque como correspondente internacional. Porém, as suas ligações com o regime político de Cuba fez com que a CIA o perseguisse.

 

Ganhou prémio Nobel da Literatura, em 1982, por se considerar que “produziu, através do campo literário, o mais magnífico trabalho numa direção ideal”. O seu trabalho inclui obras como a tão conhecida Cem anos de solidão. Fundou a Escola Internacional de Cinema e Televisão em Cuba. Vive atualmente em Cuba, onde luta contra um cancro linfático. A quimioterapia a que foi submetido acelerou o processo de demência já presente no histórico da sua família.

 

Obras

Gabriel Garcia Márquez foi um dos mais importantes escritores do século XX, reforçando o reconhecimento da literatura latino-americana a nível internacional. As suas obras foram influenciadas pelas histórias que o seu avô materno contava sobre a guerra dos mil dias, na qual participou.

 

Obras mais conhecidas:

  • Relato de um náufrago – 1955
  • Ninguém escreve ao coronel – 1961
  • Cem anos de solidão – 1967
  • Crónica de uma morte anunciada -1981
  • O Amor nos tempos da cólera - 1985

 

Gabriel Garcia Márquez 

  Maria Pato 9.º ano

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publicado às 11:41


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