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A tradição do Pão por Deus em Portugal

por Dona Professora, em 30.10.15

Em Portugal, o dia de Todos-os-Santos celebra-se no dia 1 de novembro. Nesse dia as crianças saem à rua em pequenos grupos para pedir o pão-por-deus de porta em porta. Antigamente em algumas regiões, quando iam fazer o peditório, as crianças recitavam versos e recebiam pão, broas, bolos, romãs, nozes, amêndoas ou castanhas como oferendas. Estas eram colocadas   em sacos de pano.

São vários os versos para pedir o pão-por-deus:

 

Ó tia, dá Pão-por-Deus?

Se o não tem Dê-lho Deus!.

 

Ou então:

Pão por Deus,

Fiel de Deus,

Bolinho no saco,

Andai com Deus.

Como não era muito agradável rejeitar o bolinho às crianças, as desculpas eram criativas:

 

Olha foram-me os ratos ao pote e não me deixaram farelo nem farelote

A quem lhes recusasse o pão-por-deus rogava-se uma praga em verso ou deixava-se uma ameaça enquanto se fugia em grupo e entre risos.

 

Esta tradição já era celebrada no século XV. Tem origem no ritual pagão do culto dos mortos, com raízes milenares. Em 1756, exatamente um ano após o terramoto que destruiu parte da cidade de Lisboa, celebrou-se esta tradição. Como a data do terramoto coincidiu com uma data com significado religioso (1 de novembro), no dia em que se cumpria o primeiro aniversário do terramoto, a população aproveitou a tradição para realizar um peditório, com a intenção de manter uma tradição que lembrava os seus mortos. As pessoas, percorreram a cidade, bateram às portas e pediram que lhes fosse dada qualquer esmola, mesmo que fosse apenas pão, dada a fome e miséria que se alastravam a toda a cidade. Nessa ocasião as pessoas pediram "Pão por Deus".

Noutras zonas do país, a tradição manteve-se, embora com algumas variações. Na região centro e estremadura chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’ ou ‘Dia do Bolinho’. Os bolinhos típicos são especialmente confecionados para este dia, sendo à base de farinha e erva doce com mel (noutros locais leva batata doce e abóbora) e frutos secos como passas e nozes.

 

 

 

Noutras regiões os padrinhos oferecerem um bolo aos afilhados. Esse bolo chama-se Santoro. Em vez de pedirem pão, pedem o "santorinho". Neste caso, a celebração tem início nos últimos dias de outubro.

Já nos anos 60 e 70 do século XX, este dia passou a ser comemorado de forma mais lúdica. Apenas crianças até aos dez anos podiam participar no peditório e este realizava-se apenas durante a manhã.

Atualmente, o Pão-por-Deus sofreu algumas alterações, os meninos que batem de porta em porta podem receber dinheiro, rebuçados ou chocolates. A celebração portuguesa já se confunde com o Halloween, ou seja, com o dia das bruxas, que é uma tradição anglo-saxónica.

Trabalho coletivo , 6.º B

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publicado às 12:58


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