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Literatura Fantástica (V)

por Dona Professora, em 20.03.14

A luz entrava pelo buraco que a árvore tinha feito quando o seu ramo se partiu. Os espelhos já não eram espelhos. Já não se via qualquer reflexo nele, apenas uma camada densa de sujidade. As loiças estavam partidas e os dois jovens esforçavam-se por não cair nos destroços, procurando o melhor local para encaixar o pé. Era difícil não acertar num caco partido, cada passo era anunciado pelo som de mais louça a ser partida. Os azulejos pareciam que já tinham sido brancos e quem sabe se também azuis, mas agora apenas se via o musgo a querer romper pelo canto dos azulejos. A porta estava à distância de um braço e decidem avançar. Eis que senão se detêm numa mancha acastanhada na ombreira da porta já comida pelas térmitas que ali abundavam. Parecia que uma mão ensanguentada se tinha arrastado até à porta. John afasta-se repentinamente.

-O que é aquilo? – perguntou com um olhar enojado e desconfiado.

-O que achas? É uma mancha de sangue… de certeza! – respondeu incisivamente.

John sentiu medo da própria resposta da amiga. Um medo eventualmente comparável ao que alguém sentiu ao deixar aquela marca na porta. Afinal ela tinha razão: parecia mesmo que alguém tinha deixado o seu rasto numa noite de terror. Sentiu um arrepio na espinha e…

-Buh!!!! – gritou-lhe Mary Anne, pondo-lhe a mão nas costas.

John assustou-se e deu um salto. Uma salamandra saiu entre os cacos.

-É o que eu digo… És mesmo menino da mamã!

John engoliu em seco e resolveu ripostar convictamente:

-Agora talvez seja a parte em que eu digo “Vamos fazer um lanchinho”. Deve ser isso que estás à espera que eu diga. Mas na realidade estás ainda com mais medo do que eu! Não te armes em forte! E afinal de contas estamos nisto juntos! Deixa-te de tretas e avancemos!

Mary Anne ficou espantada e percebeu que ele perdera a paciência. Talvez fosse boa ideia mudar de atitude. Não podia ter o prejuízo de o perder.

-Desculpa, mas as tuas hesitações às vezes põe-me à beira de um ataque de nervos. – afirmou com um ar doce e angelical, capaz de convencer qualquer rapaz a obedecer-lhe – Vamos lá!

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publicado às 14:35


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