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Literatura Fantástica (XI)

por Dona Professora, em 11.06.14

                 Dito isto a névoa dissipou-se e surgiu ao longo de uma porta que parecia não existir minutos antes.  John compreendeu que deveria então seguir a névoa, pois também ela era uma instrução. Ao tentar abrir a porta, a maçaneta desprendeu-se e simultaneamente uma engenhoca, que mais parecia umas escadas, surgiu do teto. Uma espécie de fumo saía daquele alçapão.  Aquela engenhoca parecia frágil e nem ele próprio percebia como tinha sido construída. Avançava vagarosamente como que a planear cada passo a dar. Parecia que alguém o perseguia porque os seus passos eram acompanhados de um segundo som, como se as suas passadas tivessem um eco. 

               À medida que subia, perguntava-se a si próprio o que encontraria na próxima divisão daquela casa tão estranha e fantasmagórica. Aquela escadaria fazia lembrar os engenhos dos livros de steampunk que já lera. Tinha rodas e deitava vapor por entre as fendas e junções douradas do corrimão.

               Para além do eco, distinguiu um som diferente – pfffffffffffffffff - Estava quase a alcançar o topo quando a escadaria se desmatelou. Ficou preso pelos braços na borda do alçapão.  O seu coração parecia que tinha parado, as forças estavam a esgotar-se e com o esforço começava a sentir o seu corpo a desmaiar. Pensou para si mesmo se seria assim que iria morrer. A visão ficou turva e deixou-se ir. As forças abandonavam os seus braços. Nos momentos antes de desmaiar teve oportunidade de ver um vulto feminino de cabelo negro. Parecia  o anjo da morte a esperá-lo.

            Fez-se escuridão.

 

*****************************************************************************************************************

 

                Ouvia uma voz indistinta ao longe, abria lentamente os olhos e esforçava-se por recuperar as forças. Afinal o vulto do anjo da morte era Mary Anne. Esta tinha salvado  o seu amigo da eminente queda.  Tudo parecia uma enorme confusão na sua mente. Não conseguia perceber o que acontecera e como é que Mary Anne estava ali à sua frente. Como poderia ela tê-lo salvado se ele não sabia do paradeiro dela há horas? Onde estava ela afinal de contas? Ou pior... O que queria ela dele?

                -Vejo que te sentes melhor. – disse Mary Anne - Queres um copo de água?

                -O que aconteceu?  - perguntou ainda confuso.

                -Deixa-te ficar um pouco aí para recuperares as forças... Já falamos.

Sentia-se demasiado fraco e confuso para sequer contestar.  Recostou-se e olhou em volta. Parecia estar num sótão  onde reinava uma imensidão de caixas  de papelão e maquinetas douradas  que deitavam vapores estranhos.  Havia um burburinho maquinal que se espalhava por toda a divisão. Ao fundo estava uma pequena janela, típica de umas águas-furtadas. Estranhamente, o dia de sol de algumas horas atrás dera lugar a um dia invernoso com direito a neve. Levantou-se com esforço, caminhou até à janela e viu que lá fora a casa estava rodeada de uma floresta sombria, coberta por um enorme manto de neve. Apenas uma única árvore não estava branca: a árvore que outrora tombara para cima da casa, partindo o telhado. Agora ela era uma árvore frondosa e hirta. Não eram visíveis pegadas ou sequer o caminho por onde tinham entrado. 

               -É agora que me vais contar o que se passa? Ou melhor... contar-me a história da tua família? – inquiriu, quase fuzilando a rapariga com o olhar. – Por que raio estou aqui... Foste tu não foste? PORQUÊ? – terminou o inquérito com um berro assertivo.

A criança que estava entretida a um canto com os seus brinquedos semelhantes a legos arregalou os olhos e começou a chorar assustado.

             -Vê se não berras tão alto... Assustaste o meu irmão – pediu Mary Anne – vê se te acalmas, por favor.

              A criança fugiu para o outro lado do sótão e escondeu-se por trás de um caixote.  Mas durante o seu percurso não se desviou dos obstáculos, simplesmente passava através das caixas como se de um fantasma se tratassse.

              -O teu... irmão? Estás a dizer que aquela “coisa” fantasmagórica  é o teu irmão? Foi ele que nos trouxe até aqui?

             -Tem calma que chegou a hora de te explicar tudo. Agora chegou a hora de cumprires a tua missão e ajudares a minha família.  – disse enquanto se sentava num banco perto de John.

              -John, deixa-me apresentar-te o meu irmão, Tovin. 

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publicado às 09:22


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